​ Economia Solidária vs Economia Capitalista

Data-se o surgimento do conceito/noção de dinheiro em 15.000 A.C. na África a partir da disputa de grupos/tribos por alimentos e sobrevivência, consequentemente esses ancestrais estavam sempre a procura de aliados para trocar ou conseguir bens (armas de caça, alimentos). As tribos iniciavam guerras por almejar objetos que pertenciam a outras tribos, dentro desse contexto, neste período histórico, surge a ideia/sentido de negociação e dinheiro, na qual o dinheiro tem como principal função quantificar o valor de cada objeto (NATIONAL GEOGRAPHIC, 2017). De acordo com o documentário “Origens: A evolução humana” da National Geographic, "o dinheiro não foi apenas uma invenção, ele foi uma revolução mental”, responsável pela criação de um sistema de confiança que acabou conectando o mundo por meio do comércio viabilizado e facilitado por ele.

Em seu artigo denominado “Economia Solidária versus Economia capitalista”, Paul Singer (2001), traz uma discussão da temática. Na atual conjuntura de nossa sociedade, o capitalismo competitivo abrange a maior parte das relações econômicas, políticas e sociais. Concomitante a essa realidade, o capitalismo solidário resiste nas relações familiares, de vizinhança e amizades. Os nomes desses dois diferentes campos são auto explicativos quanto a sua principal diferença. Ou seja, o capitalismo competitivo tem a disputa desenfreada e desmedida nas mais diferentes micro relações de poder estabelecidas como inerentes. Voltados para o acúmulo de capital e geração de lucro, como Marx já estabelecia, a competição do mercado torna as relações sociais ferozes, egoístas e destrutivas. A necessidade de ganhar, cria perdedores, menosprezados e, consequentemente, punidos. Mesmo diante de momentos em que a cooperação deve prevalecer sobre a competição no capitalismo, indícios apontam que a transição entre esses dois campos é difícil, sendo a competição protagonista das relações (SINGER,2001).

A solidariedade, contrapondo a essa competição, é uma arma daqueles desprovidos de capital, uma atitude racional de sobrevivência à falta de qualidade de vida. Ela se desenvolve naturalmente por eles, sem um comportamento calculista inerente, como um movimento de empatia. Deste modo, a economia solidária surge com o propósito de beneficiar os desprovidos de capital e é formada por empresas, associações, cooperativas, feitas pela união daqueles que não tiverem oportunidades de participar do processo de produção social (SINGER,2001).

Sabe-se que o dinheiro tornou-se essencial para  a economia de mercado, sendo as relações de compra e venda intermediadas por ele. Porém, esse dinheiro, e os juros embutidos inerentemente a ele, não retornam para os consumidores. São os grandes bancos e empresas que captam os juros e lucros obtidos nas relações de compra e venda. Ou seja, nas comunidades, muito se compra, muito se vende, pouco, ou quase nada, se lucra. A falta de lucro para a comunidade, aliada às políticas de governo ineficientes, fazem com que a qualidade de vida seja precária para as comunidades pobres (ROSENBLITH, 2008).

As primeiras experiências de formação de economia solidária na Europa e nos EUA, surgiram de um contexto turbulento de crise econômica, e assim como a iniciativa, essa instabilidade e as pressões dos patrões sobre os governos, foram o motivo de abafamento de movimentos cooperativistas. No entanto, existem diversos exemplos bem sucedidos de economia solidária no mundo. Um deles é o Complexo Cooperativo Mondragón na Espanha, fundado em 1956, projeto de grande importância para sua economia local, que quando completou cinquenta anos da sua existência foi classificado pela ONU como um dos cinquentas melhores projetos sociais do mundo. Em 1983, o sistema Local Exchange Trading Systems (LETSs) foi implantado em uma vila do Canadá como uma tentativa de amenizar os efeitos de uma crise econômica gerada pela transferência de uma base aérea para outra região (SILVA, 2008).

No cenário nacional, a moeda social mais conhecida é a do Banco Palmas em Fortaleza, sua missão é implementar projetos de trabalho e geração de renda através de sistemas de economia solidária, primariamente focada na superação da pobreza urbana e rural. Além de fornecer acesso a serviços bancários para os moradores das comunidades mais pobres, que normalmente não teriam acesso a eles nos bancos tradicionais, por falta de histórico de crédito, ou de garantia financeira e/ou distância física (RIGO, 2017).

Na Bahia a economia solidária vem se expandindo e assim proporcionando mais emprego a pessoas de baixa renda (LOPES, 2016). Pode-se destacar a comunidade de inkiri Piracanga que utiliza um banco comunitário chamado Banco Inkiri. Essa economia local é baseada nos padrões da natureza, têm um caráter mutável, multifacetado, que vai de acordo com as demandas locais e com o que a comunidade vive naquele período (SALES, 2017).

A Chácara Bocaiuva localizada no distrito de Humilde, na cidade de Feira de Santana - Bahia, que utiliza a economia solidária através de alimentos orgânicos produzidos pelos participantes locais, proporcionando-os uma melhor qualidade de vida com alimentação saúdavel, pois para Lopes (2016) “A qualidade de vida das pessoas depende da boa alimentação”.

É de ressalvar o banco solidário quilombola do Iguape que está localizado numa comunidade no município de Cachoeira e tem como sua base principal a sustentabilidade. Essa moeda social  é uma alternativa própria que tem o objetivo de fortalecer sua economia local, para assim empreender o desenvolvimento, beneficiando o mercado de trabalho. (EÇA, 2016)